Inovações galênicas e caminhos para o futuro
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Inovação galênica: uma ciência interdisciplinar em constante evolução
Longe de ser uma ciência isolada, “a inovação galênica exige múltiplas interações e conexões com outras disciplinas científicas: o desenvolvimento de processos, o desenvolvimento analítico, mas também a biofarmácia, que estuda o impacto da fórmula do medicamento em seu comportamento no organismo, além da farmacologia e da toxicologia”, explica Nathalie Masson. Tema central no desenvolvimento de medicamentos inovadores, a formulação galênica visa, entre outros objetivos, “entregar o princípio ativo na concentração ideal para garantir a melhor eficácia terapêutica com a menor dose possível e melhorar a tolerância”. Em constante evolução, a galênica pode envolver formas simples ou complexas, fabricadas industrialmente por laboratórios farmacêuticos. Segundo Nathalie Masson, “o conceito de galênica avançada insere-se em uma perspectiva de concepção, desenvolvimento, caracterização e avaliação de formas galênicas originais para moléculas com finalidade terapêutica (ferramentas e métodos de vetorização de medicamentos, materiais funcionais, novos materiais…)”.A forma de liberação prolongada: um tema de intensa pesquisa
Particularmente desenvolvidas desde os anos 1950, as formas de liberação prolongada orais e parenterais melhoraram consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes, especialmente os portadores de doenças crônicas. “Esse tipo específico de forma de liberação modificada permite não apenas prolongar a duração de ação dos medicamentos — reduzindo, assim, o número de tomadas diárias —, mas também, em alguns casos, evitar picos de concentração sanguínea e, portanto, efeitos adversos”, explica Nathalie Masson. As formas de liberação prolongada são objeto de pesquisas ativas e podem ser desenvolvidas tecnicamente “graças aos numerosos princípios de formulação e processos de fabricação diferentes”.Implantes e adesivos: avanços para usos múltiplos
A miniaturização dos implantes abre novas perspectivas terapêuticas, destaca Nathalie Masson, uma vez que sua colocação torna-se cada vez menos invasiva. “A difusão de princípios ativos por implantes permite atingir diretamente o alvo terapêutico, aumentando a eficácia, a duração do tratamento e o conforto do paciente em comparação com uma forma convencional”. Implantes à base de biomateriais também estão em desenvolvimento. “Eles têm como objetivo tratar, aumentar ou substituir um tecido, um órgão ou uma função do corpo humano, como por exemplo a ‘reparação do tecido ósseo, reduzindo o tempo de hospitalização’”. Implantes que estimulam eletricamente nervos para aliviar lombalgias, estabilizando melhor a coluna vertebral, também representam uma nova opção terapêutica. Novos adesivos (patches) também surgem em fase experimental: “de ação local; com difusão de princípios ativos na forma de nanopartículas ou não; com estimulação elétrica ou eletromagnética; com ação térmica por aquecimento ou resfriamento; microagulhas contra alergias alimentares; patches de diagnóstico para medir a glicemia continuamente… Suas aplicações são inúmeras, tanto para tratar quanto para diagnosticar ou acompanhar os efeitos de um tratamento”.Os diferenciais da Unither para enfrentar os desafios da inovação galênica
“A Unither tem como ambição disponibilizar aos pacientes produtos práticos (portáteis, unidoses, com bom sabor, que possam ser tomados sem água) e acessíveis, a fim de melhorar a adesão aos tratamentos”, explica Nathalie Masson. Os sticks líquidos desenvolvidos pela Unither permitem melhorar a textura e facilitar a deglutição dos medicamentos. “Eles se destinam especialmente às crianças e aos idosos, mas também a jovens adultos que têm dificuldade para engolir medicamentos em comprimidos ou cápsulas.” A Unither conduz atualmente diversos projetos em desenvolvimento: associações originais de princípios ativos já conhecidos, novas vias de administração capazes de ultrapassar a barreira hematoencefálica, microemulsões… “Convencidos de que uma melhor adesão não depende apenas da fórmula dos medicamentos, trabalhamos também em novos sistemas de dispensação que, no futuro, poderão ser conectados a aplicativos de smartphone para ajudar os pacientes a seguirem melhor seus tratamentos.”Biotecnologia e nanomedicamentos: um potencial multifacetado
Quando se fala em inovação galênica, pensa-se hoje no uso das nanotecnologias — uma via inovadora para transportar moléculas terapêuticas até um órgão, tecido ou célula doente. “Trata-se de um grande desafio para o tratamento de doenças humanas, especialmente infecciosas, cancerígenas ou de origem genética”, afirma Nathalie Masson. Essa revolução biotecnológica está prestes a transformar a forma de administrar medicamentos. “As nanopartículas permitirão direcionar melhor tumores elegíveis à radioterapia e limitar os efeitos colaterais para preservar células não cancerosas. No futuro, nanorrobôs capazes de ‘nadar’ no sangue também poderão difundir tratamentos de maneira extremamente direcionada ou atacar células cancerígenas”. Essas tecnologias têm aplicações para várias patologias graves, infecciosas ou crônicas. Por exemplo, em diabéticos, “o nanorrobô será programado para liberar insulina quando o nível de açúcar no sangue aumentar. Ele também detectará o desenvolvimento de tumores e poderá destruir células doentes em poucos segundos”. Segundo Nathalie Masson, suas capacidades serão múltiplas em um futuro próximo: “transportar oxigênio no lugar de glóbulos vermelhos deficientes, ‘consumir’ o colesterol presente nas artérias ou monitorar o organismo (pressão arterial, temperatura, fluxo sanguíneo) após um transplante de órgão, por exemplo”. Embora ainda faltem alguns anos para que essas tecnologias se tornem realidade, os resultados preliminares são promissores — especialmente porque evoluem de forma extremamente rápida.A barreira hematoencefálica: uma nova via de pesquisa
Compreender melhor a barreira hematoencefálica (BHE) e seus mecanismos é outro grande eixo de pesquisa, observa Nathalie Masson. “A BHE é um verdadeiro obstáculo quase intransponível: isola e protege o cérebro de substâncias nocivas, mas também impede que certos medicamentos atinjam seus alvos. Tornou-se, portanto, a última barreira a conquistar, para que moléculas candidatas a medicamentos a atravessem em quantidade suficiente para exercer ação eficaz no cérebro.” Já se sabe que “os ultrassons podem abrir temporariamente a barreira, perturbando a organização lipídica das membranas, permitindo a entrada de moléculas (medicamentos, anticorpos…) no cérebro”. O progresso está em curso!Um desafio para a pesquisa: adesão ao tratamento e gestão de efeitos adversos
Segundo o Cercle de Réflexion de l’Industrie Pharmaceutique (CRIP), 15 milhões de franceses sofrem hoje de doenças crônicas. Entre eles, apenas 40% seguem corretamente o tratamento prescrito. A baixa adesão está frequentemente ligada aos efeitos colaterais dos medicamentos. De acordo com Nathalie Masson, “diferentes estratégias podem ser consideradas para reduzi-los:- combinar tratamentos já conhecidos, mas nunca antes associados, para simplificar posologias;
- utilizar inovações galênicas que reduzam os riscos de toxicidade;
- recorrer a substâncias não químicas, como bactérias da microbiota intestinal ou bacteriófagos (vírus não patogênicos), capazes de tratar doenças infecciosas sem antibióticos”.